Não é de hoje que a disciplina de Matemática gera angústia e medo nos alunos. Sempre que falamos a palavra Matemática dentro de uma sala de aula, geramos dois tipos de sentimentos. Ou amor pela disciplina ou um repúdio.

Você já deve ter passado por algumas situações semelhantes quando o professor propõe algum desafio com cálculos e mesmo que saiba a resposta, acaba ficando inseguro em responder.

Os cálculos, os algarismos e muitos conceitos matemáticos são aprendidos exclusivamente dentro da escola.

A criança pequena tem a noção de qual pedaço de chocolate é maior, de quem tem mais figurinhas ou de quantos pinos de boliche ela acertou no jogo. Essa matemática intuitiva e concreta vai se perdendo no decorrer dos anos de escolaridade.

À medida que o aluno avança os anos escolares, vai se exigindo cada vez mais os conceitos abstratos e deixando de lado os jogos, a ludicidade e a utilização de materiais concretos.

Considerar que o aluno possui dificuldades em Matemática, precisamos compreender antes a forma de como ele recebe as informações. Sendo algo difícil e que apenas os mais inteligentes são capazes de fazer e resolver.

O que leva um aluno ter tanto medo das aulas de Matemática? O que gera ansiedade, medo ou o famoso “frio na barriga” diante de um desafio, uma situação-problema ou cálculos mais elaborados?

O que muitas vezes é desconsiderado dentro deste contexto é que a ansiedade e o medo paralisam a aprendizagem.

Levar em consideração a emoção é perceber que para aprender os alunos precisam estar envolvidos emocionalmente com o professor, a escola e também com os conteúdos não podem ser descartados. Aprendemos o que tem significado, caso contrário as informações não passarão pelo filtro da memória e não haverá aprendizagem.

O vínculo que o professor estabelece com a turma e apresenta os conteúdos de forma mais afetiva e sem a pressão psicológica consegue atingir melhores resultados.

A criança concretiza a Matemática em seu dia a dia, consegue estabelecer relações de quantidade, como figurinhas, pontos no vídeo game ou na partida de futebol, etc. Por que, então a escola abandona esta vivência e a experiência anterior da criança e já inicia com listas intermináveis de exercícios?

O ensino mecânico com exercícios infindáveis só irá trazer mais prejuízos na aprendizagem e como resultado final: notas baixas, que gera mais ansiedade que gera mais dificuldades. Um ciclo que só tem a ser fortalecido se nada for feito.

A ansiedade pela disciplina não permanece apenas dentro da sala de aula, pode acontecer em casa também. Há crianças que até tornam-se agressivas quando questionadas sobre o seu desempenho. Sentem-se mal, tem dores abdominais e dores de cabeça.

Quando iniciei ministrando aulas exclusivas de Matemática, ao ingressar na sala de aula logo no primeiro dia de aula já era conhecida como a professora de Matemática. Diante dos “medos” que a disciplina gerava que, certo dia, entrei na sala de aula um dia escrevendo na lousa que daria aulas de Boatemática, substituindo a sílaba MA, por Boa.

Além dessa quebra de paradigma, as aulas começaram a ser mais dinâmicas, criava músicas e paródias dos conteúdos, histórias de humor envolvendo situações-problema, uso de fantoches, jogos e brincadeiras e muitas atividades em dupla.

Diante dessas mudanças em aula, os resultados nas avaliações foram surpreendentes e o interesse pelas aulas aumentou muito.

Em suma, é preciso considerar que a didática e a metodologia utilizada são tão importantes e que quaisquer conteúdos podem torna-se difíceis ou não. O vilão da Matemática pode ser amplamente desmitificado quando os professores estabelecem não apenas um plano escolar diferenciado, mas também quando há vínculo e emoção no trabalho que desenvolve.

A fim de observar cada aluno como sendo único, articular os conteúdos não apenas os que envolve operações e numerais, mas também que envolve localização, espaço, forma, desafios, jogos e muita construção, estabeleço que um dos pilares para minimizar a ansiedade e as dificuldades em Matemática é acreditar que todos os alunos são capazes de aprender, afinal não é “um bicho de sete cabeças.

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